paraotempo
Abs(urdo)oluto!

Dou tempo para o que passa por ele.

Enquanto dou tempo, tudo passa pela gente.

Tendo tudo que passar por nós, dou mais tempo para a demora.

E faz tempo que não me sinto tão útil pra mim. Desse modo. Aceitando e assumindo.

Eu ando dizendo por ai: Pra que a espera se não tenho tanto?, Pra que a discórdia se tudo o que eu faço é pra concordar com você!

Então, comece a me buscar, que hoje vou mostrar que não precisa mais se esquivar de mim!

Chega de virar a cara toda vez que me olho! 

Hoje, esses olhos olham para si mesmo!

Re-acostumar.

Tenho tanto pra expor e eternizar… que acabo… não falando nada!

Dias difíceis… nada quem mais um setembro não cure…

Sabe quando é tanto pra agora que o ar some, a agonia da garganta nos entrava, toda preguiça se torna maior por qualquer desculpa menos física…

É… então deito tudo pra amanhã.

absorve, assimila, acredita e guarda.

Tenho sido requisitado pelo meu passado. Ele é latente e insistente.

Veio a onda suja e trouxe tudo aquilo inacabado e que a última maré construiu e destruiu. Trouxe vida a minha praia, fertilizou os pensamentos que, já cansados, adormeciam e que agora tiveram a chance de serem devidamente pensados.

Mas como toda onda suja que chega, sujeira deixa e impede de focar no límpido futuro!

Fui totalmente requisitado pelo passado. Ele é presente e inerente.

Nada melhor que continuar a andar pela beira mar e as vezes deixar tanta sujeira pra trás e procurar areias mais claras e quentes. E não é que existem???

Havia me esquecido dessas marés antigas e já tão adormecidas para mim que deixei na gaveta da memória só para lembrar de que elas existem. Existem e são presentes.

Quando menos espero, a tal maré retorna de tão bom grado e de tão limpidez e de tão amor e de tão plenitude que me forço a acreditar que mares mais ríspidos e inóspitos hoje em dia podem ser o que se procura pra navegar.

Ou era meu jeito errado de remar?? Ou a forma errada de interagir com tal mar?

Nunca vou saber se eu não sair correndo dessa linda e clara areia e correr em direção à esse profundo, antigo e presente oceano.

E que lá na frente, novas praias se demonstrem para que antigos passados possam se encontrar.

Até amanhã, Ontem!

Sim… tenho pensado no meu passado e nas coisas que fizeram, e de certa forma fazem, parte dele como um todo.

É engraçado como um fato puxa o outro. Como um ataque instantâneo de risos, um uma oração que energiza todo o ambiente, ou como um pranto emocionado tende a molhar o rosto de todos ao redor e envolvidos.

Existe uma receita fácil para conseguir atingir essas tão internas lembranças que só alvorecem o bem. Ai vai:

1 longo e profundo inspirar;

1 lento e calmo expirar;

2 olhos bem fechados e prontos para olhar para dentro;

1/2 passo de cada vez para não perder lembrança alguma no mural da conciência;

2 braços abertos como se fossem 2 asas prontas para voar no infinito escuro;

38947 cores diferentes para pintar os cenários mais bonitos

Eleve sua alma e seu espírito até o mais aconchegante momento em que… Se abre os olhos, e sem perceber, um sorriso já está florescido na sua face.

Fiz isso umas várias vezes no dia de hoje. Lembrei de como já fui feliz, lembrei das pessoas que fizeram isso acontecer, lembrei de onde tudo isso aconteceu, lembrei de como jurei pra mim mesmo sempre lembrar só dessas coisas boas.

Sim, sei que mergulhar nessas turvas águas do passado, pode me render um afogamento ou  um momento “perdido” desses de desespero. Mas confesso que, sem medo, nesse tipo de águas, meu mergulho de cabeça é involuntário e quase proposital. Nessas águas, sei onde dá pé, sei como nadar, sei como andar, sei como entrar, sei como sair, sei como aceitar. Só não sei se eu quero saber de tudo isso.

Então que o passado se encarregue de ficar onde está. Pois uma hora, o futuro o encontra.

O mal que o mau faz.

Acorrentado ao ontem… foi como meu dia começou.

Na verdade nem sei se o ontem terminou ou se foi alguém que ascendeu a luz aqui de fora.

Parecia que no silêncio das 4, vinha todo o peso do que o clima insistia e do que meu corpo recebia. E falando a verdade… meu corpo insiste muito em receber.

Tudo era motivo para acordar, para despertar, e não houve fato algum que fizesse meus sonhos desencadearem a atenção absoluta. 

Muita sede. Pouco ar. Muito frio. Pouco sono. Muito escuro. Pouca luz.

Mas nada que muito dure ou que logo se acostume.

Nada mais de mim para o ontem, e quem sabe até mesmo para o agora. E assim se torna ciclicamente existencial a espera pelo amanhã, onde tudo que pode… deve!

No dia de noite

Foi com um vento frio, vindo da fresta que de propósito deixei na janela da sala, que senti para onde deveriam começar a navegar os pensamentos daquele momento.

Realmente tinha muita opção de aprisionamento de informações, mas nada estava esquentando todo aquele corpo de carência que eu permitia.

E foi em um movimento rápido dos meus dedos que malabarizavam um último cigarro, que percebi que a voz quente, ardida e em chamas que eu precisava por pra fora era a arma mais letal e suave que poderia impedir o tal vento frio que só me permitia me tremer inteiro e me calar!

Começando.

A partir daqui, e  a partir de agora, usarei esse meio para informar de uma forma mais íntima (porém deveras exposta), o que me faz esquentar, esfriar, amornecer e quem sabe aliviar o que se passa dentro da minha cabeça e coração.

Que seja justa. Que seja verdade. Que seja plena toda declaração e recepção!